Desafios climáticos extremos e o futuro da rede elétrica
Como o setor de distribuição antecipa riscos, fortalece a operação e protege vidas diante de eventos cada vez mais severos.
Clima extremo. Ação inteligente.
Redes mais fortes hoje para comunidades seguras sempre.
Como o setor de distribuição de energia se prepara para enfrentar as mudanças do clima no Brasil.
A prioridade é garantir a segurança de todos e trabalhar para modernizar e melhorar as redes elétricas do país.
Três caminhos para entender o setor que conecta o Brasil.
O que é e como funciona o segmento de distribuição de energia?
Entendendo o sistema elétrico.
O que as distribuidoras fazem?
O que é e como funciona o segmento de distribuição de energia?
O segmento de distribuição de energia elétrica é responsável por levar a energia desde as subestações até nossas casas, comércios, escolas e indústrias. Depois que a eletricidade é gerada em usinas e transmitida por grandes linhas (as torres que vemos nas estradas), ela precisa passar pelo sistema de distribuição para chegar aos lugares onde é usada.
A distribuição é feita por empresas, chamadas de distribuidoras de energia, que cuidam das redes de postes, fios e transformadores em cada cidade ou região. Essas empresas garantem que a energia chegue de forma segura, com qualidade e sem interrupções, mantendo o sistema sempre em operação e fazendo manutenções quando necessário.
É a distribuição que torna possível termos energia disponível para acender a luz, ligar o chuveiro, a geladeira, o computador e todos os outros aparelhos que usamos diariamente.
Hoje, o segmento de distribuição de energia já atende 99,98% da população brasileira em todas as regiões, o que significa levar energia para quase 90 milhões de unidades consumidoras. Para se ter uma ideia da evolução, há 20 anos, a cobertura era de 93%, com grandes diferenças regionais. No Norte e no Nordeste, por exemplo, apenas 16% das áreas eram cobertas por rede elétrica.
bilhões
foram investidos anualmente, em média, nos últimos 10 anos para expandir e modernizar a rede.
bilhões
foi o valor investido em 2022, representando o dobro do que foi aplicado em 2021.
bilhões
é a meta de investimento do setor entre 2024 e 2027.
Entendendo o sistema elétrico
A energia elétrica percorre um caminho até chegar à sua casa, empresa ou cidade. Conheça as etapas que garantem eletricidade com qualidade e segurança para todos.
1 Geração
A geração de energia é o primeiro passo. É aqui que a energia é criada, a partir de fontes como água (hidrelétricas), vento (eólicas), luz solar (solar), gás, biomassa e até nuclear. Cada uma dessas fontes transforma o recurso natural em eletricidade.
2 Transmissão
Depois de gerada, a energia precisa ser transportada em alta tensão até áreas mais próximas dos consumidores. Para isso, usamos linhas de transmissão, que são aquelas torres altas e cabos grandes que se vêem ao longo das estradas, pelo Sistema Interligado Nacional (SIN). Essas linhas levam a energia em longas distâncias, ligando as usinas às subestações que vão diminuir a tensão para que a energia possa seguir até as cidades.
3 Distribuição
Quando a energia chega em uma subestação, ela passa pelo sistema de distribuição. Esse é o momento em que a energia é adaptada para poder ser usada nas casas, comércios, escolas e indústrias. As distribuidoras são responsáveis pela rede de postes e cabos menores que vemos nas ruas. Elas distribuem a energia até os pontos de consumo e garantem que todos tenham acesso seguro e constante à eletricidade.
E, resumindo: Em toda essa cadeia, há órgãos reguladores, como a ANEEL, que garantem que o processo funcione de forma justa, segura e com qualidade para todos.
O que as distribuidoras fazem?
As distribuidoras de energia são responsáveis por levar a eletricidade até a nossa porta! Elas pegam a energia que vem das grandes linhas de transmissão (aquelas torres altas) e a transformam para que possa ser usada com segurança nas nossas casas, escolas, empresas e indústrias.
Aqui vai o passo a passo do que elas fazem:
1 Recebem a energia
Depois de gerada nas usinas e transportada pelas linhas de transmissão, a energia chega às subestações das distribuidoras, onde passa por transformadores que reduzem a "potência" da eletricidade para níveis seguros de uso.
2 Distribuem a energia
A partir das subestações, a energia segue pelos postes e cabos até as ruas e, depois, entra em cada casa ou prédio, pronta para ser usada.
3 Cuidam da rede
As distribuidoras têm equipes que monitoram e fazem manutenção na rede de energia. Elas cuidam dos postes, transformadores e cabos para que a energia chegue sempre com segurança. Em caso de tempestades ou acidentes, por exemplo, são essas equipes que saem para resolver o problema e restabelecer o fornecimento.
4 Garantem a segurança e a qualidade
As distribuidoras mantêm padrões de segurança e qualidade para que a energia seja fornecida de forma estável e segura, com a menor quantidade possível de quedas ou interrupções.
5 Atendem o consumidor
Elas também têm canais de atendimento para que a gente possa fazer pedidos, tirar dúvidas, reclamar de algum problema ou solicitar novos serviços, como ligar a energia em uma nova casa.
Então, basicamente, as distribuidoras cuidam para que a luz funcione sempre que a gente liga o interruptor!
O que você precisa saber
Nesta seção, vamos explicar como o aquecimento global impacta o nosso dia a dia. Vamos falar sobre o surgimento de novos fenômenos climáticos, que ainda não conseguimos prever ou medir bem, e também sobre os efeitos das fortes chuvas e o quanto elas podem ser intensas.
#Eventos climáticos extremos
Você já percebeu como aumentaram as fortes chuvas, ventanias, tempestades, queimadas e enchentes nos últimos meses? E fica cada vez mais difícil prever quando estes eventos vão acontecer.
Eventos climáticos extremos afetam diretamente o fornecimento de energia elétrica. Esses eventos sobrecarregam as redes de distribuição, danificam equipamentos e podem derrubar postes, cabos e outras estruturas essenciais para o transporte da energia até as casas e empresas. Por exemplo, rajadas de vento ou quedas de árvores podem danificar linhas de transmissão, resultando em interrupções que afetam milhares de pessoas de uma só vez. Além disso, chuvas intensas e enchentes podem alagar subestações e transformadores, prejudicando ainda mais a rede elétrica.
O Sexto Relatório de Avaliação do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), que foca em impactos, adaptação e vulnerabilidade, mostra que eventos extremos estão aumentando em frequência e intensidade devido às mudanças climáticas Já o estudo da Confederação Nacional dos Municípios (CNM) mostra que, entre 2013 e 2023, 94% das cidades brasileiras passaram por situações graves, contabilizando mais de 64,7 mil decretações de emergência ou calamidade pública pelo menos uma vez, com prejuízos chegando a R$ 639,4 bilhões.
O segmento de distribuição de energia no Brasil reconhece a importância desse tema e prioriza medidas para enfrentar os desafios impostos por esses eventos climáticos extremos. Entre os esforços, estão investimentos de R$ 130 bilhões entre 2024 e 2027 para expandir, renovar e melhorar o fornecimento de energia elétrica no Brasil. Desse total, R$ 52 bilhões, que correspondem a 40%, serão gastos com a modernização da rede — o objetivo final é torná-la mais resistente, reduzindo as interrupções de energia.
Clique aqui e saiba mais sobre os investimentos das distribuidoras em conteúdo da Exame.
Leia também o artigo Impactos das mudanças climáticas no setor elétrico brasileiro do Grupo de Estudos do Setor Elétrico (Gesel) da UFRJ.
#Resiliência de Rede
Energia da distribuição
Mas o que é #resiliência de rede? 🤔
Resiliência de rede elétrica é a capacidade que as redes de energia têm de resistir, adaptar-se e se recuperar rapidamente quando acontecem problemas, especialmente aqueles causados por eventos climáticos extremos, como tempestades fortes, enchentes ou secas. Isso quer dizer que, mesmo nestas situações, a rede consegue minimizar os impactos para que o fornecimento de energia não sofra tantas interrupções, e que, caso falhas aconteçam, a energia seja restabelecida o mais rápido possível.
Para melhorar a resiliência, as distribuidoras investem em tecnologias como redes inteligentes, que conseguem identificar automaticamente problemas, isolar partes afetadas e até redirecionar a energia para outras áreas. Também estão investindo em novos materiais e técnicas de construção que tornam as redes mais resistentes ao impacto de ventos fortes e inundações.
Esses avanços ajudam a manter a energia funcionando em situações extremas e a reduzir o tempo que os consumidores ficam sem luz em caso de falhas.
O aumento da resiliência das redes elétricas é prioridade para o segmento de distribuição
investidos anualmente.
serão investidos nos próximos 4 anos.
do valor será destinado a
- Modernização das redes
- Automação e digitalizações
Melhoria das redes atuais para mais segurança e estabilidade.
Redes subterrâneas
1 O custo de uma rede subterrânea é de 8 a 10 vezes maior que o de uma rede aérea tradicional.
2 Se a distribuidora arcar sozinha com o investimento, o valor pode ter impacto grande na conta de luz.
3 É importante pensar na justiça dos custos: um bairro ou região se beneficia, mas o aumento na conta de luz afeta todos os municípios da área de concessão.
4 Em algumas regiões, não há espaço suficiente no subsolo para instalar redes elétricas, devido a outras infraestruturas, como água, esgoto e gás.
5 Em áreas com histórico de enchentes, a rede subterrânea pode não ser a melhor opção, pois a água pode invadir galerias e dutos onde estão os cabos e equipamentos.
Opinião de especialista:
"Este é um novo cenário que o mundo, o Brasil…vão passar a conviver, e para as quais as infraestruturas urbanas, de forma geral, não estão preparadas e qualificadas para darem respostas de curto prazo". Nivalde de Castro, professor do Instituto de Economia da UFRJ e coordenador-geral do Grupo de Estudos do Setor Elétrico (GESEL)
Clique aqui e saiba mais sobre os investimentos das distribuidoras em conteúdo do Poder360.
Leia também o artigo Impactos das mudanças climáticas no setor elétrico brasileiro do Grupo de Estudos do Setor Elétrico (Gesel) da UFRJ.
Não existe uma solução que seja totalmente à prova de eventos climáticos extremos. O que pode ser feito?
Plantar árvores de menor porte em áreas urbanas, principalmente onde o espaço é limitado e não permite o crescimento das raízes de árvores maiores.
Investir em tecnologias de automação, como sistemas inteligentes que detectam e corrigem falhas automaticamente, ajudando a reduzir as quedas de energia.
Construir redes mais resilientes, com proteção extra para a fiação elétrica, que suportam contato com objetos estranhos e resistem a ventos fortes. Isso envolve um novo padrão de construção de redes.
Planejar melhor o uso do espaço urbano, incluindo manejo adequado da arborização em algumas áreas.
Energia da distribuição
Clique aqui e saiba mais sobre as ações e desafios enfrentados pelas distribuidoras de energia no combate aos impactos causados por eventos climáticos extremos.
Dicas de segurança
A eletricidade é essencial no nosso dia a dia, mas pode ser perigosa se não a usarmos com cuidado. Por isso, todos os anos, a Abradee e suas 39 distribuidoras de energia associadas realizam a Campanha Nacional de Segurança para a Prevenção de Acidentes com a Rede Elétrica.
Em 2023, o Brasil registrou uma queda de quase 8% nos acidentes fatais relacionados à rede elétrica, fruto do trabalho da Abradee e suas associadas. Para saber mais e conferir as dicas de segurança, acesse o site da campanha e os posts abaixo:
Principais dúvidas
Aqui estão algumas perguntas e respostas que podem ajudar a esclarecer as suas principais dúvidas sobre o segmento de distribuição de energia elétrica e o impacto dos eventos climáticos extremos. Vamos juntos entender melhor como tudo funciona!
Eventos climáticos extremos, como tempestades e enchentes, podem danificar as linhas de transmissão e os equipamentos das distribuidoras de energia, resultando em interrupções no fornecimento. Além disso, esses eventos podem dificultar o acesso das equipes de manutenção às áreas afetadas.
Eventos climáticos extremos são fenômenos meteorológicos como tempestades severas, secas, enchentes, ondas de calor e nevascas. Esses eventos podem causar grandes danos à infraestrutura da rede elétrica.
Eventos climáticos extremos, como tempestades e enchentes, podem danificar as linhas de transmissão e os equipamentos das distribuidoras de energia, resultando em interrupções no fornecimento. Além disso, ess
Resiliência de rede elétrica é a capacidade da rede de enfrentar e se recuperar de eventos climáticos extremos e outros problemas. Isso inclui a habilidade de adaptar as operações para minimizar os impactos de interrupções, garantindo que a eletricidade continue disponível. Investimentos em infraestrutura e tecnologia são fundamentais para aumentar essa resiliência.
As distribuidoras estão investindo em tecnologia e infraestrutura para aumentar a resiliência da rede elétrica. Isso inclui a modernização das linhas de transmissão e a implementação de sistemas inteligentes que ajudam a detectar e corrigir problemas rapidamente.
É importante ter um plano de emergência, como ter lanternas, baterias e água potável em casa. Além disso, fique atento às orientações das autoridades e evite áreas de risco, como locais propensos a inundações ou quedas de árvores.
Você pode ajudar a reduzir os impactos economizando energia e participando de campanhas de conscientização sobre a mudança climática. Além disso, apoiar políticas públicas que visem a sustentabilidade também é importante.
Algumas dicas simples para economizar energia incluem: usar lâmpadas de LED, desligar aparelhos eletrônicos quando não estão em uso e aproveitar a luz natural durante o dia. Além disso, mantenha os eletrodomésticos limpos e bem cuidados para que funcionem de forma mais eficiente.
Existem vários fatores que podem influenciar o valor da conta de luz, como o aumento do consumo durante os meses de calor, reajustes tarifários e a necessidade de investimentos na melhoria da infraestrutura. Em épocas de crise hídrica, por exemplo, o custo da energia pode subir devido à necessidade de gerar energia com fontes mais caras.
É fundamental seguir algumas regras de segurança, como não tocar em fios soltos, manter aparelhos eletrônicos longe da água e não utilizar extensões danificadas. Se você perceber um problema, entre em contato imediatamente com a distribuidora de energia.
As redes subterrâneas são sistemas que transportam a eletricidade por cabos instalados abaixo do solo, em vez de ficarem pendurados em postes. Essa solução ajuda a proteger a fiação contra problemas causados por eventos climáticos extremos, como ventos fortes e chuvas pesadas. Além disso, as redes subterrâneas melhoram a aparência das cidades e reduzem o risco de acidentes com as linhas de energia.
Instalar redes subterrâneas pode ser desafiador por vários motivos. Um dos principais problemas é a falta de espaço no subsolo, já que outras infraestruturas, como água, esgoto e gás, ocupam esse espaço. O custo de instalação também é mais alto em comparação com as redes aéreas, o que pode ser uma barreira para algumas cidades. Além disso, o planejamento urbano precisa ser bem pensado, pois escavações e mudanças no solo podem afetar áreas já desenvolvidas, trazendo transtornos e custos adicionais.
A arborização é essencial para o meio ambiente, mas as árvores podem causar problemas para a rede elétrica. Quando crescem muito, os ramos das árvores podem encostar nas linhas de energia, especialmente em dias de vento ou chuva, quando também a risco de queda de árvores, que podem derrubar linhas de energia, causando danos significativos e interrompendo o serviço. Essa situação não só afeta a distribuição de energia, mas também pode criar riscos para a segurança pública, como obstruções em estradas e perigos para pessoas próximas. Além disso, as raízes das árvores podem danificar as redes subterrâneas. Para evitar esses problemas, é importante cuidar da arborização com podas regulares e escolher árvores que não cresçam muito perto das linhas elétricas.
As distribuidoras de energia elétrica são as empresas responsáveis por levar a eletricidade até a sua casa. Elas fazem a ligação entre as usinas de geração de energia, que podem ser hidrelétricas, termelétricas ou usinas de energia renovável, e os consumidores, garantindo que a energia chegue de forma segura e confiável.
A energia é gerada nas usinas e, em seguida, transportada por grandes linhas de alta tensão até as subestações, onde a voltagem é reduzida. Após isso, ela é distribuída por meio de redes elétricas que vão até as residências. Além disso, as distribuidoras cuidam da manutenção das redes elétricas e atendem às demandas dos clientes.
Para saber mais
Se você quer entender melhor sobre o segmento de distribuição de energia elétrica no Brasil, aqui estão algumas fontes confiáveis e acessíveis:
Ministério de Minas e Energia
O MME é responsável por supervisionar as políticas e estratégias do setor de energia no Brasil. Ele fornece informações importantes sobre o planejamento e a infraestrutura da distribuição de energia. Se você quiser saber mais sobre os planos e as políticas do setor energético, visite o site do MME.
Agência Nacional de Energia Elétrica
A ANEEL é quem regula as distribuidoras de energia no Brasil, fiscalizando tarifas, qualidade de serviço e normas. No site da ANEEL, você encontra relatórios anuais e informações detalhadas sobre o setor.
Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica
A Abradee representa as distribuidoras de energia e oferece dados e relatórios sobre inovação, sustentabilidade e melhorias no setor. Saiba mais no site da Abradee.
Empresa de Pesquisa Energética
A EPE faz estudos de demanda e infraestrutura energética para todo o país, ajudando no planejamento e desenvolvimento do setor elétrico. Confira mais no site da EPE.
Grupo de Estudos do Setor Elétrico
O GESEL, ligado à UFRJ, realiza pesquisas sobre a evolução do setor elétrico, incluindo temas como regulação, adaptação das redes e modernização da distribuição de energia. Você encontra publicações e estudos no site do GESEL.
Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas
Criado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (ONU Meio Ambiente) e pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), os estudos do IPCC são essenciais para entender como eventos climáticos extremos afetam a infraestrutura elétrica e as necessidades de adaptação das redes de energia. Veja os relatórios no site do IPCC.